Web e Mercado: uma evolução de mãos dadas

Como as mudanças conceituais da web motivaram a evolução do mercado de consumo (e vice-versa)

É comum vermos a frase “a internet modificou o comportamento do mercado de consumo” em diversos veículos. A maneira do mercado e seus consumidores agirem e pensarem foi drasticamente modificada pelo advento da internet e suas evoluções, e isso é inegável: inovação de marketing, lojas online, conteúdo sob demanda.. todos estes exemplos são paradigmas que surgiram no mercado graças a crescente presença do consumidor na web.

Porém, a evolução é uma via de mão dupla: na mesma medida que um elemento provoca uma revolução, ele é revolucionado. E, em termos de tecnologia, isso acontece constantemente e de uma maneira muito interligada. Desde a chamada Web 1.0, nos primórdios do acesso à rede mundial de computadores, até hoje, as evoluções foram drásticas, dinâmicas e, acima de tudo, serviram para ambos os lados da moeda.

Mas… como isso aconteceu?

Web: da leitura ao consumo

No início, não havia nada.

Eis que, nos anos 60, no auge da Guerra Fria, surgiu a necessidade de “descentralizar a informação”, para que não ocorresse ali a perda de conhecimento que ocorreu em Alexandria. E então, surgia a ARPANET.

Porém, foi apenas na década de 90 que essa “rede de conhecimento” atingiu de maneira mais abrangente a população: graças aos esforços de Tim Bernes-Lee em desenvolver uma interface mais visualmente agradável para o acesso à Internet, vimos o nascimento da World Wide Web, ou carinhosamente, a Web. Com ela, qualquer pessoa conectada poderia acessar o conhecimento presente na rede, numa espécie de “biblioteca digital”  (visto que o conteúdo era apenas “informacional” e não existia interação entre a pessoa que acessava e o que era visto).

Porém, a World Wide Web abriu as portas para que outras pessoas tentassem melhorar a Internet, moldando-a de acordo com as necessidades de quem estava conectado. Assim, a Web 2.0 (assim chamada por Tim O’Reilly) surgiu em meados dos anos 2000 para mostrar que as pessoas que a acessavam poderiam ser mais do que meros espectadores nesta rede. Eles poderiam ser usuários.

Usuários agora estão interligados entre si

A inovação da Web 2.0 serviu para interligar os usuários em todo o mundo, garantindo uma maior interação entre as pessoas e o conteúdo da internet, e permitindo a troca constante de experiências, costumes e vontades. Assim, a Web permitiu uma mudança gigantesca no mercado de consumo: além de mudar o que as pessoas querem, mudou a maneira das pessoas quererem as coisas.

Os produtos passaram a ser comercializados de formas diferentes, passaram a ser divulgados e anunciados de maneiras diferentes, passaram a ser diferentes. Você não precisaria sair de casa e ir a uma loja comprar algo, ou até mesmo apenas observar: tudo poderia ser feito do conforto da sua casa, ou enquanto você está na academia, na rua, no ônibus. Os anúncios não seriam mais vistos no jornal, ou na TV: eles seriam compilados e entregues no seu e-mail, ou exibidos em qualquer página que você visitasse. Você não precisaria mais do guia de TV ou dos horários do cinema: você poderia assistir o que quisesse, quando quisesse.

Se o mercado evolui.. a web evolui!

Na mesma medida que os usuários interagem uns com os outros, novas ideias surgem. Cada pessoa tem uma maneira própria de pensar, agir e, sobretudo, consumir na web. Isso faz com que a Web 2.0, que serviu para juntar todos os usuários e interligá-los, precise evoluir novamente. Se agora o usuário não precisa ir a uma loja para consumir, precisamos dizer a ele o que ele deve procurar e onde deve procurar. A loja deve “acompanhá-lo“, oferecendo ao consumidor o que ele quer comprar, no momento que ele quiser comprar.

A internet das coisas

O que antes era uma biblioteca idêntica para todo mundo, hoje é uma “versão virtual” da sua própria vida, com as mesmas particularidades e ideais refletidos online. As redes sociais, os motores de busca online, a popularização dos smartphones, tudo é consequência da evolução do mercado. E, conforme dito antes, toda evolução é uma via de mão dupla.

É aí surge a chamada Web 3.0 e o conceito de Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT). Na Web 3.0, tudo é informação: o que você pesquisa, o que você diz, o que você gosta e o que você consome. Essas informações são utilizadas pelo mercado para mostrar a você coisas que teria interesse de consumir, seja um vídeo, uma imagem ou um produto. E a IoT, com sua diversificação das plataformas de acesso à internet, permite que o usuário tenha esse tipo de interação a todo momento e em qualquer lugar. É esse tipo de evolução e coleta de informação que te permite, por exemplo, sacar o celular do bolso e procurar um bar com a cerveja mais barata perto de você, ou até mesmo ver seu smartphone recomendando que você visite aquele restaurante novo ali nas redondezas.

A Web 3.0 valoriza o “conteúdo personalizado” e facilita o consumo do mesmo, garantindo que o usuário possa ficar sempre conectado, independente da plataforma, e ter a mesma experiência positiva em qualquer situação.

E o futuro?

Sim, o conceito de Web 4.0 já é uma realidade. Mas.. o que seria ela?

Os atuais assistentes pessoais do mercado

Créditos: Business Insider/Yu Han

A Web 4.0 é uma evolução natural dos conceitos de web que vemos hoje em dia. É a internet que funciona como um “espelho mágico”, que imediatamente dá as soluções pro problema do usuário. A internet em todos os lugares, a experiência móvel e a disponibilidade imediata da informação desejada, são os conceitos básicos da nova revolução que já está começando.

Podemos observar esta nova mudança através do surgimento dos assistentes pessoais automatizados, tais como a Siri, Cortana, Alexa e o Google Now. E a tendência é que esses sistemas foquem, de uma maneira muito mais pessoal e única, a experiência obtida com o usuário. Tal qual a que Theodore experimentou com Samantha, no filme Her.

E o que veremos a partir daí? Até onde vai chegar a evolução da web, e como o mercado vai se modificar para utilizá-la e, posteriormente, modificá-la de volta? É aguardar para ver.

Eduardo Coutinho

Eduardo é desenvolvedor desde os 16 anos e está sempre em busca de aprender alguma coisa nova para não se sentir parado no tempo. Você pode acompanhar suas bobagens em @duuhx_ e ver suas fotos em @duuhx_