Como sobreviver como cliente no mercado de tecnologia

Você teve uma ideia. Ou você tem uma empresa e precisa de um site. Ou já tem um site e precisa de alguém pra fazer alterações. Daqui pra frente, vou te chamar de cliente.

Você, como cliente nessa economia complicada, não tem muito dinheiro pra fazer as coisas que precisam ser feitas. Ou até tem um pouco de dinheiro guardado, mas quer fazer essa grana render. Você quer achar uma empresa ou alguém pra ser seu responsável de tecnologia. Mas por onde começar? São muitas opções, muitas empresas. Cada uma trabalha com tecnologias diferentes e cobram preços muito diferentes uma da outra. É difícil saber se estão passando a perna em você.

Meu querido cliente, neste texto tentarei ajudar um pouco a entender o mercado de tecnologia e darei algumas dicas de como fazer essa sua experiência ser a mais fácil possível.

Antes de tudo, precisamos definir se você quer uma empresa ou contratar um programador fixo. Então começaremos por isso. Não entrarei em detalhes nos diversos tipos de empresa, usarei sempre como exemplo uma produtora, que é o nosso caso na Kingly Studio.

 

Empresa x Programador

A resposta pra essa pergunta vai depender da sua necessidade. Você tem um site institucional e precisa fazer algumas alterações simples? Então não compensa contratar uma pessoa fixa. Pode ir atrás de um freelance, que sairá mais barato, ou uma empresa.

Você precisa fazer um projeto maior em um prazo mais apertado? Nesse caso, uma empresa ou um programador fixo talvez sejam mais adequados. Um freelance pode não conseguir entregar no tempo que você quer (freelances geralmente encaixam estes trabalhos no tempo livre de seus empregos convencionais).

A conta geralmente leva em conta alguns fatores: tempo de projeto, dinheiro disponível e o quanto sairia para contratar uma pessoa fixa e o quanto uma empresa cobraria pelo projeto. Empresas tendem a cobrar um preço fixo para fazer o desenvolvimento e você não tem que arcar com custos e responsabilidades de contratar alguém. Em contrapartida, você não é “chefe” da empresa e ela vai te encaixar no cronograma dela. Se você precisar mudar o projeto a qualquer momento, terá que fazer uma discussão de escopo.

Agora que você escolheu, vamos passar algumas dicas de boa convivência. A maioria delas se aplica para ambos os casos, mas algumas são voltadas apenas para relacionamentos com empresas de desenvolvimento. De qualquer forma, conhecimento a mais nunca é ruim.

 

O barato sai caro

Como falei no meu texto de mercado de tecnologia e suas peculiaridades (inserir link), o mercado de TI tem uma regra quase que universal: o barato sai caro. Se uma empresa ou um programador está te oferecendo algo muito grande por um preço muito barato, alguma coisa está estranha, então fique ligado. Algumas possíveis opções são:

  • A pessoa/empresa pode estar querendo fazer portfólio.
  • a pessoa/empresa não está fazendo uma solução do 0, mas vendendo algo que eles têm pronto e só estão “adaptando” pra você.
  • você pegou a pessoa/empresa numa época de falta de projetos , e por isso ela aceita um valor mais barato do que deveria aceitar.
  • A pessoa/empresa não entendeu o escopo e está oferecendo algo menor do que você pediu ou, possivelmente, pode acabar nem entregando o projeto por causa da complexidade.
  • A pessoa/empresa entendeu o escopo, mas não soube precificar e vai acabar tendo que renegociar o contrato no futuro.

Na visão de quem oferece esse serviço, se algo é bom demais pra ser verdade no mercado de tecnologia, geralmente é.

 

Escopo

Defina o escopo com a empresa logo no começo. Por escopo, quero dizer todas as funcionalidades e tudo que a plataforma fará. Se terá app ou se não terá app. Quanto mais detalhes nessa hora, melhor. Assim, você garante que a precificação do projeto e prazo estabelecido serão reais.

Claro, tenha esse escopo no contrato. Isso dá uma segurança para ambas as partes.

Produção

Uma vez que o escopo estiver fechado e contrato assinado, está na hora de começar a produção. Esse é o processo mais demorado do projeto e é o que causa mais ansiedade. Então, aqui vai uma série de dicas para tentar facilitar a sua vida e a da empresa que você contratar

  • Controle a ansiedade: Existem diversas coisas que acontecem nessa etapa que são invisíveis para o cliente, então parece que o projeto “não vai pra frente”. Muitas dessas etapas invisíveis são cruciais para o futuro do projeto, como a estruturação do banco de dados e uma criação prévia (wireframe) de como o sistema vai funcionar, agilizam o trabalho a longo prazo. Tente conter a sua ansiedade.
  • Estabeleça meios de comunicação com a equipe e se atenha a eles: Com a tecnologia, é fácil chamar a pessoa no chat do Facebook, WhatsApp, ligar, mandar sinal de fumaça, etc. Na minha experiência, as melhores relações que tive com clientes foi quando definimos um meio de comunicação para o dia a dia e coisas rápidas e um meio oficial para consolidar e documentar os pedidos. Pode ser WhatsApp e e-mail, respectivamente, por exemplo.
  • Prazos reais: cobre da empresa/pessoa prazos reais. Se chegou a hora de desenvolver uma funcionalidade grande e a empresa passou um prazo estranhamente curto, provavelmente eles vão adiar quando estiver chegando perto. Para a maioria das tarefas, um prazo razoável é de uma semana.
  • Cuidado com as cobranças: de novo na tecla da ansiedade, controle as cobranças. Claro que você está pagando por um serviço e tem o direito de ser atendido, mas não seja aquela pessoa que pede uma alteração as 14h e, as 17h, manda uma mensagem “E aí, conseguiu fazer?”, “E aí, está pronto?”. Claro, desde que não seja algo urgente.
  • Reporte problemas de forma detalhada: isso daqui, nos meus anos de trabalho, é o que me faz amar ou não um cliente. Enviar para a equipe de desenvolvimento uma mensagem “Deu um bug” ou “O site está dando pau” não é o suficiente. Em um sistema, ainda mais os complexos, existem vários lugares que podem dar erro. Quanto mais informação você passar para a equipe, mais rápido eles vão saber ONDE procurar e achar o lugar do problema. Envie prints, um relato de onde está o erro e, de preferência, quais foram os passos que você deu até dar esse erro. Então, em vez de falar “deu pau na hora de entrar”, fale “na hora de logar, coloquei tais dados em tais campos e deu o seguinte erro (enviar o print ou colar a mensagem de erro)”. Vai por mim, a equipe vai te elogiar.
  • Bom senso: bom senso tem que ser exibido por ambas as partes. Da mesma forma que a empresa tem que saber que ela tem uma obrigação para com você como cliente, você tem que entender que a empresa não vive em função do seu projeto. Então, se atenha ao horário de atendimento combinado e lembre-se sempre que, no final, essa é uma relação comercial, não importa o quão próximo você seja da equipe.
  • Negócios são negócios: tanto você quanto a empresa estão em uma relação comercial. Ninguém está fazendo caridade ou favores para ninguém. Você está pagando por um serviço e a empresa está oferecendo o serviço. Pequenas mudanças não são o fim do mundo, mas não exija muitas coisas a mais que não estavam combinadas no escopo. Caso a empresa peça uma renegociação, não se ofenda. Caso topem fazer as alterações sem custos adicionais, perceba que é um investimento que a empresa está fazendo em você e no seu projeto e aprecie isso.
  • Programadores também são pessoas: é fácil esquecer que um sistema é algo complexo. Como só interagimos com a superfície, nem percebemos que existe MUITA coisa rolando por trás para que o sistema funcione. Um elogio de vez em quando sobre a qualidade do trabalho ajuda (e muito) a manter a equipe motivada.

 

Pós Lançamento & Manutenção

Seu projeto terminou e foi ao ar. Ufa! Mas ainda temos bastante coisa pela frente, a principal é a manutenção.

Manutenção é você contratar uma empresa ou alguém para fazer ajustes no site. Sempre falo para os clientes da Kingly Studio que manutenção é importante por dois motivos:

  • Alterações SEMPRE serão necessárias: às vezes, o que você imaginou não é o que o usuário precisa. Dessa forma, você precisa ter alguma forma de atualizar e alterar o sistema para atender as necessidades dos seus clientes.
  • Erros são normais: por mais que os desenvolvedores testem o sistema, falhas acontecerão. Isso é normal. O ser humano é imprevisível e usará o seu sistema de formas imprevisíveis. O que pra você, que pensou no sistema, é óbvio, pro usuário pode não ser. Dessa forma, erros não tratados aparecerão e é importante ter alguém para arrumar. Isso não deve ser motivo de estresse para você e sua equipe.

 

Essa foi uma pincelada bem de leve no mundo da relação do cliente com seus desenvolvedores. Espero que isso lhe ajude a ter menos estresse nesse processo, que já é estressante por si só, de criar seu projeto.

 

Leandro Navatta
Leandro Navatta

Formado em Sistemas de Informação pela USP, mas desenvolvedor desde sempre. Fazendo coisas legais como/com a Kingly Studio desde 2015.